IA: sinais que alertam a necessidade de novas carreiras para a entrada de jovens no mercado

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O Brasil encerrou 2025 com números históricos no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,1%, a menor desde 2012, segundo o IBGE. São 103 milhões de pessoas ocupadas e rendimento médio recorde. No entanto, há sinais de alerta para o futuro, pois o cenário mostra que os jovens estão presos em funções em extinção.

Um estudo do FGV IBRE mostra que metade dos brasileiros entre 18 e 24 anos está concentrada em apenas 20 ocupações, como balconistas, caixas e operadores de telemarketing. São funções de baixa complexidade, alta rotatividade e salários reduzidos. É fato que o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos no país fechou 2025 em 11,4%, índice que representa o menor patamar da série histórica para este grupo desde o início da pesquisa em 2012. Mas, enquanto o rendimento médio mensal de todos os trabalhos no Brasil bateu recorde no ano passado, chegando a R$ 3.560, a renda média de jovens de 18 a 24 anos permanece menor devido à concentração em empregos de entrada, estágios ou setores de menor remuneração.

O cenário se torna mais desafiador porque justamente essas funções de entrada estão sendo substituídas pela inteligência artificial. A automação avança sobre atividades administrativas, de atendimento e análise básica — áreas onde os jovens estão mais concentrados. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou 1,27 milhão de vagas formais em 2025, abaixo do ano anterior, sinalizando desaceleração na criação de empregos. Estudos internacionais reforçam que a IA já elimina mais postos do que cria, atingindo principalmente os trabalhadores em início de carreira.

O impacto não é apenas imediato. Pesquisas indicam que profissionais deslocados pela tecnologia podem levar até dez anos para recuperar sua trajetória salarial, criando uma “cicatriz” de carreira. Paradoxalmente, essa é a geração mais familiarizada com IA, mas com menos oportunidades de aplicá-la em trajetórias estruturadas. Na prática, o primeiro degrau da carreira está sendo removido e é preciso encontrar meios de preparar os jovens para se buscarem novas portas de entrada no mercado.

O desafio ganha contornos ainda mais graves diante da mudança demográfica. O Brasil envelhece rapidamente; a taxa de fecundidade caiu para 1,57 filho por mulher e o país deve parar de crescer em 2041. Isso torna essencial que os jovens construam carreiras sólidas e sustentáveis. Caso contrário, o problema deixará de ser apenas social e se tornará fiscal.

Três mudanças são urgentes. Para o governo, medir a qualidade dos empregos, não apenas a quantidade. Para as empresas, preservar posições de entrada como parte da formação de talentos. Para a educação, desenvolver habilidades que a IA não substitui, como comunicação, pensamento crítico e colaboração. Segundo a própria subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, durante o evento Empregabilidade Jovem Brasil, promovido em abril pelo CIEE, em São Paulo, embora os indicadores apontem para uma economia mais aquecida e com maior oferta de oportunidades, é preciso atenção à qualidade das ocupações que estão sendo assumidas pelos jovens.

Com informações de A Gazeta, www.gov.br e Exame

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