O Mito do consumo impulsivo e a verdadeira conta que as mulheres pagam

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mosaico de fotos de meulheres

Se você pedir para alguém desenhar uma pessoa endividada, é bem provável que o imaginário popular crie a figura de uma mulher cheia de sacolas de shopping. Mas a realidade, apoiada em dados implacáveis, desmonta essa caricatura. Quando as mulheres se endividam no Brasil, as faturas não vêm de lojas de grife. Elas têm nome e sobrenome: supermercado e farmácia. O essencial, não o supérfluo.

Essa é apenas uma das reflexões provocativas trazidas pelo relatório “Elas Pagam a Conta”, um estudo profundo e inédito realizado pela Think Olga e Think Eva. Cruzando mais de cem fontes, o material levanta uma questão incômoda para o nosso mercado: por que as mulheres, que são engrenagens essenciais da força produtiva do país, ainda enfrentam tantas desvantagens em renda, crédito e patrimônio?

A resposta exige que a gente pare de olhar para as mulheres pelas lentes dos estereótipos e comece a ler os dados com contexto e profundidade.

A Gestão Financeira da Vida Real

Existe um mito de que as mulheres não sabem lidar com dinheiro ou não têm “letramento financeiro”. Os números do Banco Central mostram que o conhecimento das mulheres (58) é apenas ligeiramente menor que o dos homens (62) – e essa diferença se concentra no jargão do mercado e no cálculo de juros. Na prática, a distância desaparece.

Hoje, 32% das mulheres são as únicas responsáveis pelo sustento de suas casas, e 93% participam ativamente das finanças familiares. Elas fazem o dinheiro esticar até o fim do mês com uma resiliência admirável. Não é à toa que lideram os acordos de renegociação no Feirão Limpa Nome da Serasa, respondendo por 56,2% do volume. A lacuna, portanto, não está na capacidade de gestão, mas no acesso histórico ao código formal da riqueza.

Mesmo assim, o cenário é de vulnerabilidade: mais da metade das mulheres teria muita dificuldade de cobrir uma despesa inesperada no mês, contra 39% dos homens. Menos renda gera menos margem; e menos margem gera menos resiliência financeira.

A raiz da desigualdade: do cuidado à “penalidade da maternidade”

A falta de intimidade das mulheres com a riqueza não é um acidente, é fruto de uma exclusão sistêmica. Os dados são duros:

  • O peso do cuidado: 76% das horas de trabalho de cuidado não pago são feitas por mulheres (OIT).
  • A conta salarial: A diferença de remuneração entre homens e mulheres ainda é de 21% (5º Relatório de Transparência Salarial).
  • Vulnerabilidade: 1 em cada 4 mulheres no Brasil vive com menos de US$ 6 por dia (Banco Mundial/IBGE).

E quando olhamos para a carreira, esbarramos na chamada “Penalidade da Maternidade”, conceito comprovado pela vencedora do Prêmio Nobel de Economia, Claudia Goldin. O mercado de trabalho recompensa jornadas longas e inflexíveis. Como as mulheres assumem a maior parte do cuidado com os filhos, suas carreiras são freadas. O impacto é global: enquanto 95% dos homens entre 25 e 54 anos estão empregados ou buscando emprego, apenas 52% das mulheres na mesma faixa etária estão na mesma situação.

O Papel das empresas (e o Trunfo da Previdência Privada)

A boa notícia é que o mercado de trabalho feminino não para de crescer, saindo de 34,8% em 1990 para 53% em 2023, de acordo com estudo da OIT e do G20. Mas, apesar do Brasil já apresentar dados promissores, como mais de 10 milhões de empreendedoras (34%), em 2025, segundo o Sebrae, falta muito ainda para avançar em inclusão e cidadania financeira. e o setor privado tem um papel relevante nisso.

O estudo sugere caminhos claros, como corrigir a brecha salarial, apoiar o trabalho de cuidado (licenças igualitárias e flexibilidade) e enfrentar o assédio. No entanto, há uma solução de longo prazo que merece o centro do palco: a proteção contra o empobrecimento feminino.

Por terem carreiras mais fragmentadas (devido à maternidade e ao trabalho de cuidado) e salários historicamente menores, as mulheres chegam ao fim da vida produtiva muito mais expostas à vulnerabilidade econômica. É exatamente aqui que a Previdência Privada, como o Plano PAI, administrado pela Fundação Itaúsa Industrial, se torna não apenas um benefício corporativo, mas também instrumento de equidade de gênero.

Oferecer um plano de Previdência Privada com matching (quando a empresa acompanha a contribuição da funcionária) é, sem dúvida, uma das ferramentas mais poderosas que as empresas têm hoje para assegurar o futuro de suas colaboradoras. É dar às mulheres a chance real de construir patrimônio de maneira independente, garantindo que o esforço de uma vida inteira se traduza em autonomia e segurança na aposentadoria.

Avançar na inclusão financeira é entender que as mulheres sabem gerir o presente com muita competência e que cabe à sociedade, não só governos, mas o setor privado, oferecer mecanismos mais justos para administrarem o futuro.

 

Com informações de Cintia M. Ramos Falcão e Think Olga e Think Eva

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