Vivemos mais, mas como estamos vivendo?

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Viver até os 80 é um marco memorável, mas a pergunta que cabe ainda é: como vamos chegar lá? A longevidade do brasileiro é uma conquista indiscutível, mas é importante saber a diferença entre ter mais anos de vida e viver bem.

Um estudo de peso publicado na The Lancet Public Health revela que a lacuna de morbidade (a diferença entre os anos totais de vida e os anos vividos com plena saúde) saltou cerca de 20% no Brasil desde 1990. Em média, a população passa 12,5 anos convivendo com dores, limitações ou doenças crônicas. O país ocupa hoje a 16ª posição global nesse ranking e isso precisa ser considerado, tanto por cuidados com a prevenção de doenças, por parte de quem está envelhecendo, como por parte de políticas públicas preventivas.

Curiosamente, países de renda alta lideram o topo global da lacuna de morbidade, com os EUA atingindo 14 anos, pois a medicina avançada consegue prolongar a vida, mas nem sempre evita o desgaste físico. Nesse caso, o próprio sistema de saúde deficiente pode explicar esse recorde norte-americano.

A evolução da lacuna no Brasil (1990–2023)

A alta mortalidade de idosos nos tempos de pandemia alterou o indicador, mas ao retomar o curso do aumento de longevidade, o tempo de convivência com doenças voltou a subir.

  • 1990: 10,4 anos com perda de qualidade de vida (Média global da época: 8,8)
  • 2010: 11,2 anos
  • 2020: 11,7 anos
  • 2021: 11,4 anos (redução pontual pelo aumento da mortalidade na pandemia)
  • 2023: 12,5 anos (retomada da longevidade, atingindo 76,4 anos de expectativa total)

A disparidade de gênero

As estatísticas escancaram outro recorte relevante: a diferença entre homens e mulheres. Homens vivem menos e passam menos tempo doentes, enquanto mulheres vivem mais, mas passam pelo menos 3 anos a mais de suas vidas sofrendo com doenças e limitações.

Indicador (2023) Mulheres Homens
Expectativa de Vida Total 79,7 anos 73,1 anos
Anos Vividos com Doenças/Limitações 12,1 anos 9,3 anos

Esse quadro demonstra que as mulheres vivem mais, porém passam mais tempo convivendo com quadros crônicos e perda de autonomia.

O que mais pesa na saúde global?

O levantamento ressalta que o avanço dessa lacuna não decorre necessariamente de episódios fatais imediatos, mas de condições que se arrastam por décadas. Mundialmente, 57,4% dos anos vividos com limitações são causados por doenças que, muitas vezes, são evitáveis ou podem ter seus impactos controlados:

  • Doenças musculoesqueléticas (lideradas pela dor lombar)
  • Transtornos mentais (ansiedade e depressão)
  • Perdas sensoriais (como deficiência auditiva)
  • Lesões não intencionais (principalmente quedas na velhice)
  • Outras doenças crônicas impulsionadas por glicemia elevada, obesidade e tabagismo.

O diagnóstico para o futuro é direto: focar apenas na redução de mortalidade é insuficiente. Garantir que os novos anos conquistados venham acompanhados de autonomia, mobilidade e saúde mental é o grande desafio das políticas públicas e da medicina preventiva nas próximas décadas.

A peça que faltava: longevidade com qualidade de vida e saúde financeira

Diante desse cenário, fica claro que viver bem no futuro exige atitudes no presente — e isso vai muito além de ir à academia ou manter os exames em dia.

Outro fator crucial para a saúde física e mental é o equilíbrio financeiro no pós-carreira, já que nesta fase da vida é comum haver maiores gastos com remédios, tratamentos e planos de saúde. Por isso, é fundamental fazer um planejamento financeiro desde cedo, que inclua, por exemplo, a adesão a um plano de previdência privada ainda na juventude.

E se a sua empresa oferece um plano de previdência corporativo como benefício, melhor ainda! Esse modelo costuma contar com a chamada contrapartida (o aporte da empresa proporcional ao seu), o que funciona como um potente acelerador na formação do seu patrimônio. Um bom exemplo é o Plano PAI, administrado pela Fundação Itaúsa Industrial.

Cuidar da saúde do corpo e da mente hoje garante que você viva mais. Cuidar do bolso garante que você viva esses anos adicionais com a dignidade, o conforto e a independência que realmente merece.

 

Com informações da revista Forum e Fundação Itaúsa Industrial

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