Viver Melhor
Como se comportam os brasileiros em relação à previdência

Muitos brasileiros falam que sonham com a aposentadoria. Mas será que estamos nos preparando bem para esse período da vida? Pesquisas mostram que, apesar de pensar no futuro, a maioria das pessoas tem dificuldade em poupar para o
amanhã. Para entender as razões para tal comportamento, o Portal do Programa Parceiros do Futuro recorreu à Psicologia Econômica.
Dados de uma pesquisa da consultoria Accenture (2012) mostram que 90% dos entrevistados dizem se preocupar com sua situação financeira após a aposentadoria. Contudo, menos de 6% têm algum investimento para complementar sua renda no
futuro. Os números entregam a falta de planejamento do brasileiro para o amanhã.
Para a economista e especialista em Psicologia Econômica, Adriana Rodopoulos, destaque da edição de dezembro/2014 da Revista Pé-de-Meia, muitos fatores levam a esse tipo de comportamento, mais voltado aos gastos do presente do que
para o planejamento do amanhã. Confira a seguir algumas reflexões da especialista:
Comportamento de manada
Esse é o tradicional “Maria vai com as outras”, no português claro. Adriana explica: temos uma tendência quase inconsciente de seguirmos com o bando e a justificativa para esse comportamento é que se a maioria está fazendo é porque
deve ser bom e seguro. Ou seja, já que ninguém do meu meio está investindo, tudo bem também adiar essa tarefa para o futuro.
Teoria da inércia
Tendência muito forte de manter as coisas como estão, mesmo sabendo que aquilo deixou de ser o melhor para nós. O comodismo ou a preguiça faz com que deixemos tudo igual. Por exemplo, assinatura de serviços, como a TV a cabo. Não
importa se o pacote tem 500 canais e assistimos só aos da TV aberta. Geralmente, não mudamos de plano, dá trabalho. Mudar exige esforço.
Contas mentais
“A maioria de nós é incapaz de manter uma contabilidade mental apurada”, diz Adriana. Esta limitação faz com que muitos de nós acabemos por utilizar boa parte de nossa renda com parcelamentos, comprometendo a renda. Não se pode olhar
só para o valor da parcela.
Escolhas intertemporais
Essa ideia tem a ver com um comportamento imediatista. “Grande parte das pessoas toma suas decisões de consumo segundo a dinâmica: recompensa agora, sacrifício depois. É aquela história do compre agora e comece a pagar daqui a X
meses”, diz Adriana.
De olho nessas dicas, avalie se você faz parte dessa maioria que gasta muito e poupa pouco. A sugestão é reservar uma parte do seu tempo para planejar suas finanças. Vai dar um pouquinho de trabalho, mas a recompensa vem no futuro.
Pratique!
*Adriana Rodopoulos é economista com extensão em Psicologia Econômica pelo COGEAE-PUC, atuou na área de Educação como professora e coordenadora por mais de 15 anos e dedica-se ao estudo da Ciência Comportamental Aplicada desde 2007.
Assina a coluna de Psicologia Econômica do site Dinheirama.com e é coordenadora e palestrante da Oficina de Escolhas.
Saiba mais sobre esse assunto na edição de dezembro/2014 da Revista Pé-de-Meia, clique aqui.