Carreira em movimento: por que os jovens estão pedindo demissão?

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O conceito de sucesso profissional não é mais o mesmo. Para as gerações passadas, a realização estava ligada a décadas de casa, estabilidade financeira e uma aposentadoria tranquila. Hoje, esse cenário deu lugar ao “job hopping” (salto de emprego), um fenômeno que reflete a inquietude da Geração Z e a busca por um novo sentido no trabalho.

Dados do Ministério do Trabalho revelam que jovens entre 18 e 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego. Em 2024, a rotatividade nessa faixa etária atingiu impressionantes 96,2%. Mas o que está por trás dessa debandada?

Além do salário: a busca por propósito e saúde mental

Diferentes dos Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), que priorizavam a segurança, e dos Geração X (entre 1965 e 1980), que também valorizam a estabilidade, embora com mais flexibilidade, os novos profissionais da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) colocam o bem-estar e o aprendizado constante no topo da lista. Entre os principais motivos para pedidos de demissão estão:

  • Busca por novas oportunidades (38%);
  • Falta de reconhecimento (34%);
  • Divergências éticas com a empresa (28%);

Estresse, preservação da saúde mental e busca por mais flexibilidade também levam às demissões. Para esses jovens, o trabalho deve ser um reflexo de seus valores pessoais. Se o ambiente é rígido, carece de propósito ou compromete o equilíbrio emocional, a saída torna-se a opção mais lógica.

Do “viver para trabalhar” ao “trabalhar para aprender”

Especialistas apontam que essa mudança é uma resposta às transformações econômicas. Em um mercado marcado pela precarização e automação, a promessa de uma carreira linear perdeu força. O “job hopping” não indica falta de compromisso, mas sim uma estratégia de sobrevivência e crescimento acelerado.

Enquanto gerações anteriores viam a troca frequente de emprego como uma “mancha” no currículo, hoje recrutadores já interpretam esse comportamento como sede de aprendizado e adaptabilidade. No entanto, o equilíbrio é essencial: especialistas alertam que ciclos inferiores a nove meses podem dificultar a entrega de resultados consistentes.

O novo contrato emocional

O aumento nas demissões entre os mais jovens sinaliza, portanto, o fim da era da fidelidade cega às empresas. O sucesso agora é medido pela qualidade do tempo investido e pela coerência entre os valores pessoais e a prática corporativa.

Para as empresas, o desafio é claro: não se trata mais apenas de oferecer um salário, mas de construir ambientes que façam sentido para quem neles trabalha. A retenção de talentos no futuro dependerá da capacidade de transformar essa energia em vantagem competitiva, oferecendo flexibilidade e propósito real.

Com informações do G1

 

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